quarta-feira, 20 de julho de 2011

A história da imigração

A Imigração Ucraniana para o Brasil teve início no ano de 1891, com a chegada das primeiras oito famílias de imigrantes da cidade de Zolotiv, região de Lviv, oeste da Ucrânia para a cidade de Mallet, Estado do Paraná. Chegaram ao Brasil em data de 23 de agosto de 1891. Essa é a referência que atualmente utilizamos para as comemorações do centenário da imigração e agora para os 120 anos, porque temos informações históricas mais precisas. Mas há indícios que outras famílias tenham se instalando antes.

Entre 1895, 1896 e 1897 chegou a primeira grande imigração massiva totalizando aproximadamente 20.000 imigrantes. Eram todos originários da Galícia. A vasta região onde se localizaram era constituída de 271.000 almas.

A segunda onda de imigrantes para o Brasil verificou-se entre 1908 a 1914 também provenientes da Galícia e a motivação foi o emprego na construção da estrada de ferro entre São Paulo e o Rio Grande do Sul. Nesse período chegaram 18.500 imigrantes.

Calcula a historiadora Oksana Boruszenko que até o final da Primeira Grande Guerra o número de imigrantes ucranianos no Brasil era de 45 mil pessoas. Entre as duas grandes guerras ingressaram no Brasil aproximadamente 9.000 imigrantes ucranianos. E após a segunda Grande Guerra aproximadamente 7.000.

A quarta onda. O número de imigrantes ucranianos após 1991 para o Brasil é muito pequeno. A política imigratória do Brasil atualmente busca atrair mão de obra qualificada e especializada. Um grande número de professores ucranianos foram aceitos nas universidades brasileiras. E o maior contingente de ucranianos na atualidade será de profissionais que trabalharão na construção da Empresa binacional Ucraniana-Brasileira Cyclone Space que constrói uma base de lançamento de foguetes em Alcântara, no Estado do Maranhão.

Com isso podemos concluir que 80 por cento da imigração ucraniana para o Brasil já possui um século de existência no território brasileiro e o restante dos 20 por cento mais de meio século. 

Todo o patrimônio material e imaterial da cultura ucraniana no Brasil foi construído pelo esforço da própria comunidade ucraniano brasileira. É a força histórica da cultura e da alma ucraniana que brota e viceja em qualquer terreno. 

Um comentário:

  1. A SAGA DOS IMIGRANTES UCRANIANOS
    (A propósito de um comentário na página do Clube Eslavo)


    O Brasil foi construído pelos imigrantes!... Os estrangeiros que para cá vieram, antes, durante ou depois das guerras mundiais, originários de todas as partes do mundo, são os artífices desta nação e os grandes heróis do nosso tempo!

    E os ucranianos, com o seu trabalho, a sua cultura, a sua história e as suas tradições, tem muito a ver com isso. Assim como tem, também, os colonizadores portugueses, os nativos, os africanos, os alemães, italianos, espanhóis, franceses, holandeses, ingleses, açorianos, judeus, russos, árabes, japoneses, chineses, coreanos, e todas as demais etnias que formaram e continuam formando o nosso povo.

    Segundo um estudo desenvolvido por Tadinei Daniel Jacumasso e Ciro Damke, (Aspects of the Ukrainian Immigration to Brazil: The Diversity in Center-South Region of Parana), os imigrantes ucranianos são verdadeiros “guerreiros, que sobreviveram passando por dificuldades em todos os sentidos. Sofreram quando estavam em seus países de origem, pois não queriam deixar aquilo que possuiam e, por outro lado, não aguentavam viver sob pressão e miséria. Sofreram, também, durante a viagem, pois as condições eram precárias e, por último, mas não menos importante, sofreram quando chegaram ao Brasil e não encontraram apoio e estrutura para se instalarem adequadamente”.

    Entre os muitos relatos publicados no estudo, há o depoimento de um descendete ucraniano segundo o qual quando os primeiros imigrantes estavam a caminho do Brasil foram informados que aqui era um país subtropical. Então a primeira coisa que fizeram foi jogar suas cobertas no mar. Aqui chegando encontraram frio, tinham que fazer tudo com as mãos. Casas não tinha, eles construiram de palha. Fizeram cobertas para repor as que jogaram no mar. Tudo era muito difícil. As viagens eram demoradas, feitas em carroças. Não havia estradas, não tinha ônibus, nem carro, nada.

    Isso sem contar as inúmeras dificuldades da viagem para o Brasil, uma verdadeira epopéia transoceânica!... As doenças nos navios eram comuns, quase não havia remédios, a comida era pouca, a higiene bastante precária, muitas famílias se desagregaram durante a travessia e muitos morreram em pleno mar.

    E não há nada de prosaico, de comum, de trivial nisso!... Pelo contrário, esses fatos demonstram coragem, heroismo e determinação, atributos necessários para a grande aventura além-mar, a mudança para o Brasil, o desbravamento de uma nova terra, a construção de um novo país, o forjar de uma nova raça!

    E embora os imigrantes ucranianos não cultivem nomes como Teseu, Hércules e Jasão, as suas ações, sem dúvida, se assemelham às aventuras desses heróis gregos em busca do Velocimo de Ouro!... E apesar, também, do tempo que já decorreu desde a passagem dos conquistadores vikings pela Ucrânia, muitos ucranianos ainda carregam sangue viking em suas veias...

    Portanto, se não fosse a fibra, a bravura, o amor aos seus sonhos e a determinação dos imigrantes, entre os quais se situam os ucranianos, heróis do nosso tempo, nós certamente não teríamos a diversidade étnico-cultural que temos, o Brasil não seria o país espetacular que é hoje, e nem tampouco haveria essa raça maravilhosa, à qual com muito orgulho todos nós pertencemos: o povo brasileiro!

    Luiz G. Souza – 23.07.2011

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